LIVRO A LOUCURA DO TRABALHO CHRISTOPHE DEJOURS PDF

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Author:Mazubei Jugar
Country:Latvia
Language:English (Spanish)
Genre:Politics
Published (Last):22 November 2009
Pages:401
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ISBN:720-7-44503-211-2
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A primeira edio francesa de As re-edies francesas trazem muitas atualizaes rodaps que no foram acrescentados nas re-edies brasileiras. Dejours mdico, psiquiatra e psicanalista. Introduo Relaes trabalho-sade - consideraes histricas: O objeto inicial de Dejours a psicopatologia do trabalho. Ele pretende pr em discusso "aquilo que, no enfrentamento do homem com sua tarefa, pe em perigo sua vida mental".

Partindo da psicopatologia do trabalho francesa, que tem trabalhos importantes nos anos 50, Dejours vai enfocar as vivncias subjetivas do trabalho, sempre diferenciadas e irredutveis umas s outras, que do conta das experincias concretas dos trabalhadores. Ele inicia seu livro narrando sintaticamente a histria da sade dos trabalhadores, e chama a ateno que os avanos em sade do trabalhador s se do por uma luta perptua dos trabalhadores por sua sade, pois as melhorias das condies de trabalho e sade foram conseguidas sempre desta forma.

Dejours divide a histria da sade dos trabalhadores em trs momentos. O ambiente de trabalho se caracterizava pela falta de higiene, esgotamento fsico, acidentes de trabalho dramticos, subalimentao,tudo isso gerando alta morbidade muitas doenas e alta mortalidade muitas mortes decorrentes de acidentes e doenas do trabalho. O tempo esperado de vida era muito mais curto que o de hoje. O sofrimento caracterstico dessa poca foi descrito na literatura com o nome de misria operria.

Como resposta a essa situao surge o movimento higienista, que vai tratar da insalubridade pblica, fazendo sentir a necessidade das leis sanitrias: ele trata do que diz respeito s epidemias, aos hospitais, aos cemitrios, etc. O enfoque do higienista altamente moralizante: prope solues para restabelecer a ordem moral e, sobretudo, a autoridade da famlia, necessria para a formao de operrios disciplinados.

Esta tambm a poca dos grandes alienistas de, como Esquirol e Pinel. As lutas operrias neste perodo histrico tinham essencialmente dois objetivos: o direito vida ou sobrevivncia e construo da liberdade de organizao sindical e poltica necessria para estas lutas. A reivindicao principal a reduo da jornada de trabalho. O Estado chamado a intervir e surgem na Europa leis relacionadas higiene e segurana do trabalho, indenizao por acidentes de trabalho, leis relacionadas a direitos de aposentadoria e outras.

J houve alguma conquista com relao ao direito de viver e podem aparecer outras reivindicaes. A preocupao principal com a proteo do corpo: "Salvar o corpo dos acidentes, prevenir as doenas profissionais e as intoxicaes por produtos industriais. Essa modalidade de organizao do trabalho surge como uma nova tecnologia de submisso, gerando exigncias fisiolgicas at ento desconhecidas, especialmente as exigncias de tempo e ritmo de trabalho.

As performances exigidas so novas, e fazem com que o corpo aparea como principal ponto de impacto dos prejuzos do trabalho. A separao radical entre trabalho intelectual e trabalho manual, imposta pelo taylorismo, busca neutralizar a atividade mental dos operrios.

Assim, "no o aparelho psquico que aparece como primeira vtima do sistema, mas sobretudo o corpo dcil e disciplinado, entregue, sem obstculos, ao engenheiro de produo e direo hierarquizado do comando.

Corpo sem defesa, corpo explorado, corpo fragilizado pela privao de seu protetor natural, que o aparelho mental. Corpo doente portanto, ou que corre o risco de tornar-se doente. Consegue avanos onde ele mais poderoso, isto , onde os trabalhadores so numerosos grandes empresas e onde o trabalho tem um valor econmico estratgico setores de ponta ou centros vitais da economia nacional.

Com a guerra a mo de obra fica gravemente desfalcada e ocorrem progressos em torno da jornada de trabalho, da medicina do trabalho e da indenizao pelos problemas decorrentes do trabalho. Surgem preocupaes com dispositivos de segurana para mquinas perigosas. Na Frana, a semana de 40h e as frias pagas so aprovadas em Esse segundo perodo caracteriza-se pela revelao do corpo como ponto de impacto da explorao. O alvo da explorao seria o corpo e s o corpo. A periculosidade das mquinas, os produtos industriais, os gases e os vapores, as poeiras txicas, os parasitas, os vrus e as bactrias so, progressivamente, designados e estigmatizados.

De a , progressivamente o tema das condies de trabalho que se depreende das reivindicaes operrias na frente pela sade. A luta pela sobrevivncia d lugar luta pela sade do corpo. A palavra de ordem da reduo da jornada de trabalho deu lugar luta pela melhoria das condies de trabalho, pela segurana, pela higiene e pela preveno de doenas. Surge a uma nova preocupao com a sade mental. Denuncia-se o taylorismo como produtor de sofrimento psquico, como modo de organizao do trabalho desumanizante.

Essas crticas vm no apenas dos operrios mas tambm do patronato. A reestruturao das tarefas, como alternativa para Organizao Cientfica do Trabalho, faz nascerem amplas discusses sobre o objetivo do trabalho, sobre a relao ao homem-tarefa, e acentua a dimenso mental do trabalho industrial.

A isso se somam as vozes dos operrios e dos trabalhadores do setor tercirio e das indstrias de processo petroqumica, qumicas, cimenteiras, nuclear etc. Com o desenvolvimento do setor tercirio as tarefas escritrio tornam-se cada vez mais numerosas. A sensibilidade s cargas intelectuais e psicossensoriais de trabalho prepara o terreno para as preocupaes com a sade mental.

Dejours refere-se a maio de 68 como uma data representativa na histria da relao de sade trabalho. No centro do discurso de maio de 68 encontramos a luta contra a sociedade de consumo alienao. O trabalho foi reconhecido como causa principal da alienao, inclusive pelos estudantes.. Elas rompem a tradio reivindicativa e marcam a ecloso de temas novos: mudar a vida, palavra de ordem fundamentalmente original, Emerge o tema da relao de sade mental-trabalho como tema de reflexo das organizaes operrias e dos trabalhos cientficos.

A luta pela sobrevivncia condenava a durao excessiva do trabalho. A luta pela sade do corpo conduzia a denncia das condies de trabalho. J o sofrimento mental resulta da organizao do trabalho. Por condies de trabalho entende-se o ambiente fsico temperatura, presso, barulho, vibrao, irradiao, altitude, etc , ambiente qumico produtos manipulados, vapores de higiene, de segurana, e as caractersticas antropomtricas do posto de trabalho.

A psicopatologia do trabalho. Em psicopatologia do trabalho, acentuou-se os comportamentos humanos, numa linha de pensamento aparentada do behaviorismo. Dejours no busca de explicar o comportamento, mas os efeitos psicodinmicos da imposio de atos diversos: movimentos, gestos, ritmos, cadencias e comportamentos produtivos. Dejours quer elucidar o trajeto que vai do comportamento livre ao comportamento estereotipado.

Por comportamento livre entende um padro comportamental que contm uma tentativa de transformar a realidade circundante conforme o desejo do prprio sujeito. Livre, mais que um estado, qualifica uma orientao da direo do prazer. O sofrimento preocupa no que ele tem de empobrecedor, ou seja, quando leva anulao de comportamentos livres. Dejours termina a Introduo dizendo que seu projeto difcil, temerrio, uma vez que o sofrimento operrio mal conhecido tanto pelos que esto fora da fbrica, como pelos prprios operrios, que esto ocupados em seus esforos para garantir a produo.

Captulo 1 - As estratgias defensivas. Dejours, para estudar as ideologias defensivas, fala inicialmente do subproletariado: a populao que ocupa as favelas, a populao da periferia das grandes cidades. Essa populao se caracteriza pelo no trabalho e pelo subemprego.

Ele descreve uma ideologia defensiva relacionada vivncia dessa populao em relao doena. Para ele haveria uma negao da doena na medida em que ela traz consigo ameaas graves de ser colocado parte, de perder a insero social que ainda se tem, de literalmente ir para baixo da ponte.

Para fazer frente a esse medo, a populao pobre no admite estar doente at o limite em que no pode mais trabalhar, ou no consegue levantar da cama. Assim se explicaria um comportamento inslito: o de s aceitar buscar tratamento mdico quando a doena j se tornou muito grave.

Nesta anlise, Dejours descreve as caractersticas das ideologias defensivas, tomando ento como exemplo o caso da populao de conjuntos habitacionais franceses semelhante a grupos favelados , que tem uma situao de sade muito precria, Dejours descreve a reticncia macia dessa populao em falar da doena e do sofrimento.

Quando se chega a admitir a doena ele vivida como vergonhosa sendo dadas para ela numerosas justificativas, como se fosse preciso se desculpar. H uma concepo coletiva da doena, prpria desse meio, que relaciona a doena preguia e vagabundagem. Para que a doena seja admitida preciso que esta tenha atingido uma gravidade tal que impea de manter a atividade de trabalho.

A doena, e principalmente o hospital, assustam. O hospital pode fazer descobrir coisas muito graves, coisas que se prefere no saber. Dejours descreve ento o que ele chama de ideologia da vergonha.

Para o homem a doena corresponde sempre "vergonha" de parar de trabalhar. Calar a dor controlar a angstia, o medo das conseqncias da doena, que passa freqentemente pela perda do emprego.

Neste mesmo livro, Dejours vai descrever tambm ideologias defensivas profissionais , como a dos trabalhadores da construo civil.

Nestes casos a defesa vai contra a organizao do trabalho. As ideologias defensivas tm como caractersticas: - so funcionais e tm por objetivo mascarar, ocultar uma ansiedade particularmente grave. Esta observao de grande importncia clnica, permitindo compreender por que um indivduo isolado de seu grupo social se encontra brutalmente desprovido de defesas face realidade com a qual ele confrontado.

A estes mecanismos de defesa que so coletivos, Dejours contrape os mecanismos de defesa individuais, dando o exemplo do trabalho repetitivo como aquele da linha de produo, ou de certos trabalhos de informtica ou de bancos. Refere-se ao trabalho taylorizado, cuja organizao rgida e domina no somente a vida durante as horas de trabalho, mas tambm o tempo fora do trabalho. A proposta da Organizao Cientfica do Trabalho OCT tem por objetivo o aumento da produtividade, atravs da anulao dos chamados "tempos mortos".

No entanto esses momentos de reduo de ritmo de trabalho so na realidade uma etapa do trabalho durante a qual agem operaes de regulagem destinadas a assegurar a continuidade da tarefa e a proteo da vida mental do trabalhador.

A Organizao Cientfica do Trabalho expropria o saber operrio; busca tambm, o que tem sido menos comentado, anular a variedade de modos operatrios de uma mesma atividade, e anula a liberdade de inveno.

Ao eleger um modo operatrio mais rpido como aquele a ser seguido por todos, como padro, sem modulaes individuais, a OCT opera uma reduo da dimenso psicolgica e mental do trabalho. Alm disso, a OCT isola cada operrio dos demais. Na organizao taylorista no h mais tarefa comum, nem obra coletiva, como o caso da construo civil ou da pesca martima, por exemplo. Por causa do fracionamento da coletividade operria, o sofrimento que a organizao do trabalho taylorizado engendra exige respostas defensivas fortemente personalizadas.

No h mais lugar praticamente para as defesas coletivas. Mas, na linha de produo, sobretudo individualmente cada operrio deve se defender dos efeitos penosos da organizao do trabalho. O trabalho repetitivo ataca violentamente em a dimenso psquica: "para o operrio-arteso prtayloriano, tudo se passava como se o trabalho fsico, isto , a atividade motora, fosse regulada, modulada, repartida de equilibrada em funo das aptides e do cansao do trabalhador por intermdio da programao intelectual espontnea do trabalho.

Neste edifcio hierarquizado, o corpo obedecia ao pensamento, que por sua vez era controlado pelo aparelho psquico, o lugar do desejo do prazer, da imaginao e dos afetos. O sistema Taylor age, de alguma maneira, por subtrao do estgio intermedirio, o lugar da atividade cognitiva e intelectual.

Nada mais penoso do que a adaptao a uma tarefa repetitiva nova. Mais difcil que a manuteno da prpria performance produtiva, a fase de treino que a precede. Longe do trabalho, nos fins de semana ou nas frias, o operrio mantm-se vigilante para no deixar apagar o condicionamento mental e o comportamento produtivo duramente aprendido. Assim, no h somente uma contaminao, mas antes uma estratgia, destinada a manter eficazmente a represso aos comportamentos espontneas que marcariam uma brecha no condicionamento produtivo.

Isso explica por que alguns trabalhadores recusam-se a parar de trabalhar, seja tirando frias, seja quando necessitam de licenas de sade ou um outro afastamento temporrio.

Captulo 2 - Que sofrimento?

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